Vozes múltiplas, histórias singulares
Vozes do Século XX

Expedito Teixeira – Fascínio pelo cinema

“Nasci no dia dezessete de julho de 1930 em Santa Rita do Sapucaí. Fiz o primário lá. Depois, mudei pro estado de São Paulo e frequentei o curso madureza e outros cursos também, inclusive faculdade, mas sem me matricular. Eu ficava lá ouvindo as aulas pra aprender. Sempre fui muito curioso sobre tudo. Queria aprender; não ter diploma. E saía de uma escola e entrava em outra.

Já estive no Colégio Adventista e quase fui pastor. Assisti muitas aulas aqui na Faculdade de Direito, e o Dr. Rômulo Coelho e o Simão Pedro queriam muito que eu me matriculasse lá, mas preferi só assistir as aulas. Fui muito lá na Fundação também, levava caneta e papel e anotava tudo. Sempre gostei muito de ler, li demais. A literatura sobrenatural me atrai bastante, pois já tive vários contatos com o sobrenatural.”

O primeiro projetor

“Quando completei 17 anos, ganhei uma máquina de projetar filmes da minha mãe. Ela foi uma mulher poderosa e grande incentivadora minha. Eu tinha um conhecido que estava vendendo a máquina e a filmadora e fui saber o preço, mas meu dinheiro não dava. Então, ela me deu o dinheiro pra comprar.

Hoje, eu tenho só esse projetor e a outra máquina já vendi faz tempo. Esse projetor estava desaparecido e, depois de muito tempo, ele voltou pra minha mão. Tinha vendido ele pro Chiquinho Paiva e, depois de um tempo, consegui recuperar ele de volta.

Com essas máquinas fiz minhas primeiras filmagens na minha casa. Filmava minha mãe e minha irmã no dia a dia delas. Depois, projetava na parede pra elas assistirem.”

Contato com o cinema

“No meu período escolar em Santa Rita, fiz amizade com Venuto Volpato, de família italiana. nós íamos jogar bola, caçar passarinho, estudar juntos. A família dele era muito culta e com eles aprendi muita coisa, inclusive a disciplina, pois com eles você falava e tinha que cumprir.

Um dos irmãos dele, o Rino Volpato, me levou pra trabalhar no cinema de Santa Rita. Eu adorava aquele trabalho e, quando chegava em casa, escrevia roteiros pro cinema.

Fui pra São Paulo e tentei fazer cinema lá. Frequentei a Vera Cruz e ia toda semana lá. Tinha um rapaz de Pouso Alegre que tinha muito acesso na Vera Cruz, o Luiz Calderário. Ele me forneceu muito material de como fazer roteiro pra cinema e eu ficava lá vendo o trabalho dos iluminadores e acompanhando as filmagens. Sou apaixonado por cinema.”

Diretor

“O primeiro filme com atores fiz aqui em Pouso Alegre e se chamava O Roubo do Automóvel. Depois fiz A Vingança do Garimpeiro, em 1966, e fiz outro com o Muroni e o Celso Rancheiro. Quando via que não ia dar certo, eu parava.

No filme A vingança do Garimpeiro, o Jorge Kersul trabalhou como ator e fez o roteiro. A direção e os diálogos eram meus, fiz a dublagem de todos os personagens. Foi filmado na fazenda do Mário Pereira.

Em 1975, fiz o filme Aruã na Terra dos Homens Maus e foi exibido no Brasil inteiro e tive convite até de Las Vegas e de outros países pra comercializar o filme.

Em 1995, filmei Seara do Ódio, que trata do tema aborto. É a história de uma menina que fica grávida e tenta fazer aborto. É muito triste. Com esse filme, espero que cada menina que assista e que passe pelo mesmo problema desista de fazer aborto. Nesse sentido vou me sentir realizado.

Sou tão apaixonado por cinema que já vendi dois terrenos e um imóvel comercial no centro da cidade pra investir nas minhas filmagens. Fui muito criticado, mas o que importa é o que sou e não o que os outros pensam de mim.”

Novos projetos

“Tem um trecho da Bíblia que diz: ‘Buscai primeiro o reino de Deus e todas as outras coisas lhe serão acrescentadas’. Então eu quero fazer filmes que tragam alguma mensagem do bem. Um dia pedi a Deus pra ele me ajudar e que eu faria filme com esse propósito de colocar a pessoa no caminho do bem.

Sou um homem de ideias, mas não tive determinação e nem força. Hoje, com 82 anos, mudei meu pensamento e quero fazer filmes que contenham boas mensagens e vou conseguir.

E como nada é por acaso, ganhei uma filmadora digital do César da lotérica. Dois dias depois, eu estava indo na padaria e vi que estavam jogando umas coisas fora, ali da Catedral, e peguei uns tripés de iluminação que são profissionais. Mais uns dias depois, eu estava descendo a Rua do Foto Puccini e o Ricardo Puccini me chamou e disse que tinha umas mesas de edição que não usava mais e queria me dar. Agora, tenho um equipamento guardado aqui.

Passou uns meses, eu tava precisando de um dinheiro e o Banco Itaú me emprestou e comprei um computador. Agora, tô tendo aula de edição com um amigo meu. Então tudo tá concorrendo pra dar certo.

Já tenho cenas gravadas do próximo filme e vai se chamar o Natal de Sabina. É um filme espiritualista e vem com uma mensagem pra humanidade.

Vou fazer cinema até o fim da minha vida. Sou um homem feliz e livre porque faço o que quero e não me arrependo de nada. Estou sempre pronto a aprender. Tenho disposição e vontade, e a vontade tem que ser uma explosão dentro de você. nunca espere a vontade de ninguém.”

Contato com extraterrestres

“Eu e meu irmão já tivemos contato com seres extraterrestres. A partir daí a vida dele mudou, ele virou um Midas, pois tudo que ele tocava virava ouro. Todos os investimentos que ele fez prosperaram e ele se tornou milionário em São Paulo no ramo da construção civil.

Esse fato aconteceu na estrada de Pouso Alegre para Santa Rita. Meu irmão tinha uma casa de móveis aqui e eu trabalhava com ele. Num domingo, ele alugou um carro de praça pra nós irmos almoçar com minha mãe.

Na volta, por volta de sete horas da noite, nós vimos uma luz que veio se aproximando do carro e ficou uma bola gigantesca. O carro apagou. Eu era adolescente e queria sair correndo. Minha cunhada e meu irmão me puxaram e falaram que aquilo era coisa do diabo e não me deixaram sair. Aquela luz ficou pairando sobre o carro e depois

sumiu. Daquele dia em diante, a vida do meu irmão mudou. Ele começou a ganhar dinheiro e não parou mais, ficou milionário.”

Expedito Teixeira, 82 anos, mora no centro de Pouso Alegre, onde concedeu essa entrevista em janeiro de 2012